quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O drama de Mefibosete

O drama de Mefibosete

O clima na nação de Israel não era nada agradável. A instabilidade política causava dissensões suficientes para trazer os ânimos à flor da pele. Batalhas e mais batalhas era o cenário. O pano de fundo era o mais sangrento possível. Saul buscava ardentemente matar o seu maior inimigo: Davi. 

Essa incostância interna na nação de Israel atriu os filisteus, inimigos ferrenhos do povo escolhido. Em uma batalha travada no monte Gilboa, Saul e seus filhos são executados (1 Samuel 31). Paralelo a essa história corre outra de extrema relevância. 
O mensageiro chega esbaforido de Jezreel, as notícias não são as melhores: Saul e seus filhos haviam morrido em batalha contra os filisteus. A criada de Jônatas, apavorada com as notícias pega o filho do seu senhor e sai correndo. A criança ainda é nova, 5 anos de idade. O alvoroço é grande, ela corre com o menino no colo com medo dos inimigos findarem a linhagem real. Todavia, o acaso, que não é acaso acontece: o menino, subitamente, cai e quebra ambos os pés. O menino Mefibosete é levado para Lo-Debar; o garoto cresce e se estabelece na cidade "sem pasto" (2 Samuel 4.4). Mefibosete, agora, vive o seu drama, sua catástrofe, sua calamidade. Esquecido, inválido e em uma terra desvalorizada.

Passa-se os tempos e agora o rei Davi pergunta aos seus servos se ainda existe alguém da linhagem de seu amigo Jônatas (1 Samuel 20). O motivo da pergunta? Honrar a aliança feita com o seu amigo antes de sua morte (1 Samuel 20.8, 14-17). 
No capítulo 9 de 2º Samuel, há um dos relatos bíblicos mais fascinantes da Sagrada Escritura. Mefibosete, o homem que estava esquecido em Lo-Debar, sem esperança e envolto de um drama, agora é convocado a estar diante do rei. O rapaz manco, invólucro em uma síndrome de esquecimento profunda, agora é chamado a estar diante da maior autoridade do seu país. Da terra "sem pasto" para a "cidade de paz". 
O drama do esquecido agora é dissipado, ele agora foi descoberto e será honrado. Eis aqui uma grande e sublime lição. 

Por mais que a história bíblica aponte no capítulo 9 de 2º Samuel, Mefibosete, como o personagem principal, há aqui um mistério profundo, um sinal de que o "homem segundo o coração de Deus" era profundamente grato e honroso. Um homem que não esquecia sua história, nem escondia seu passado, mesmo estando nos lugares mais altos e atingindo o status ápice de sua vida. 
Existe, no mínimo, duas razões pela qual Davi mandou chamar Mefibosete, vejamos!

1ª - A primeira é conhecida e já foi citada. A aliança entre Davi e Jônatas era um pacto, antes de tudo, diante de Deus. Ou seja, a qualquer preço deveria ser cumprida, e foi justamente o que Davi procurou fazer. "Nem tampouco cortarás jamais da minha casa a tua bondade..." (1 Samuel 20.15). 

2ª - Davi havia sentido na pele o drama do esquecimento. A síndrome já o havia acometido no início de sua trajetória. Diante de Samuel, Jessé apresentou os seus filhos mais velhos e se esqueceu do jovem Davi, que apascentava no campo (1 Samuel 16.1-13). Davi, portanto, conhecia o drama que Mefibosete estava passando. Mas, o mais interessante é que Davi também sabia que esse drama se dissiparia quando o jovem fosse procurado na cidade de Lo-Debar. Ele também já havia sido procurado (2 Samuel 5.1-5). 
Davi tinha consciência de que Deus o estava usando! Ele havia passado por todo esse processo antes, provado com antecedência, adquirido a experiência, para tomar a medida certa e correta. 

Concluímos que Davi foi esquecido e procurado, para um dia também acabar com o drama de Mefibosete e procurá-lo para o honrar. Deus, realmente, escreve certo por linhas certas e tortas. A Ele seja levantada glória e honra para todo o sempre!


Cordialmente,

Weder F. Moreira

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